devaneio

devaneio #0 – Legado

fabio / 12 de Janeiro de 2016

Hoje, 11/01/2016, morreu David Bowie. Não sou um grande fã de sua obra, mas com certeza aprecio algumas de suas músicas e, principalmente, aprecio música o suficiente para saber de sua influência em vários artistas que o seguiram e nos próprios rumos da música e da arte performática que a acompanha. Isso, por si só, já basta para que se lembre da data e se preste o merecido respeito póstumo, um dia que se dedica a lembrar o legado de uma pessoa tão importante em um determinado segmento humano. Não sei o motivo disso, mas esse fato do dia 11, que abriu a minha segunda-feira quando minha esposa me acordou dizendo: “Não vais acreditar, sabes quem morreu hoje?”, me pôs no pensamento a insistente idéia do que se deixa como legado quando morremos.

Assunto esse um tanto mórbido pode alguém pensar, mas eu estou pensando o oposto: o que fica. Certo é que nem todos seremos em quaisquer outros segmentos humanos o que o Sr. Bowie foi para a música, mas não penso que seja errado querer isso. Ser ateu tem vantagens e desvantagens e talvez se enquadre em ambas essa noção de finitude do humano, uma vida só e pouca, pequena. Uma chance de fazer valer a pena… ou não. Quando se vê as horas não há mais tempo, por isso não se pode errar, não se pode dar algo menos do que o melhor para a vida: a primeira chance é sempre a última. Todos esses clichês servem apenas para afirmar a óbvia falha de sua finitude: não se quer o fim do que se deixa para trás.

Esse conceito de “potencial legado”, chamemos assim, ficou comigo durante o dia, a reflexão não me deixou em paz: o que eu vou deixar (não no sentido material)? Não penso que essa reflexão seja uma forma negativa de perceber a vida, apenas representa uma inquietude ingênua, ideológica e ao mesmo tempo uma pequenez madura de saber que se é somente mais um passageiro, que divide um período de tempo com outros e que deixa uma parte mínima de si para o proveito dos próximos. Não há forma melhor de descrever a eternidade e quem é louco de não querer viver para sempre? Essa é a “preocupação”.

É isso mesmo, ateus também acreditam na eternidade, ela só não é uma eternidade do indivíduo, são infinitas eternidades das influências em cada um de nós. Nesse ponto, obrigado, Sr. Bowie, sua eternidade manteve minha inquietude que, um dia, deixará de ser meu “potencial legado” para ser também, espero, eternidade em outros.


Obviamente, uma música para encerrar o pensamento.

 

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